terça-feira, 9 de novembro de 2010

Estrela cadente


Andando naquela rua escura sem direção e sem nenhuma concepção do que poderia acontecer, aumento meus passos e com eles aumenta a sensação que aquele não seria um dia comum como qualquer um dos outros. Vejo uma luz forte no céu caindo com muita velocidade, àquela luz era tão intensa que por um instante pensei que fosse algum cometa caindo do céu, porém cometa não era, e sim uma estrela cadente, mais aquela não era igual às outras, era mais forte, mais radiante, tudo isso que contei passou em questão de  milésimos de segundo, nem meu pedido eu consegui fazer.
 Minha avó me contava várias histórias de desejos que garotas da época dela faziam ao ver uma estrela cadente, eu amava quando ela me contava, porque as histórias normalmente eram de romance e eu como uma eterna apaixonada entrava nas personagens das histórias e sonhava em como seria se tudo aquilo fosse acontecer comigo, porém estou com 19 anos hoje e nunca aconteceu.
 Continuei andando sem rumo e um pouco triste por não ter conseguido fazer o meu pedido. O tempo começou a fechar, as estrelas começaram a desaparecerem do céu, aumentei meus passos, mais de nada adiantou, começou a chover, não estava muito preocupada com a chuva e continuei a caminhar. Olhando no final da rua naquela escuridão avisto alguém se aproximando, confesso que fiquei com medo, e a pessoa estava cada vez mais perto,quando vejo, era um cara de mais ou menos uns 20 anos, não menos que isso, pele clara, cabelo negro e liso, não sei definir o corte mais sei que era desarrumado e percebi que ele não ligava muito para aparência, ele foi se aproximando e eu olhando os detalhes, daquela pessoa desconhecida até então para mim, ele estava de preto e o olho dele brilhava como a estrela que a pouco havia avistado, não sei por que mais cada passo que ele dava meu coração apertava um pouquinho, era uma sensação que nunca tinha passado.
 A chuva estava passando e o cara ainda mais perto, começou a me encarar com o olhar fixo não percebia nem o piscar dele de tão profundo e decidido que era aquele olhar, ao chegar perto de mim ele me disse olá, eu meia que me esquivando de medo falei um oi mais pra dentro do que pra fora, logo em seguida ele me disse que eu não precisava ficar com medo e perguntou o que eu estava fazendo sozinha naquela rua escura e ainda na chuva, sentamos debaixo de uma cobertura e começamos a conversar, após uma longa conversa nossas bocas pareciam que possuíam magnetismos e nos beijamos. Perguntei da onde que ele era, ele falou que morava em um lugar distante dali e disse também que precisava ir embora, tentei insistir mais de nada adiantou para ele ficar mais, e ele foi desaparecendo naquela escuridão.
 Fiquei lá sentada ainda alguns minutos e me veio à cabeça as histórias que minha avó contava, o que eu tinha passado se assimilava muito a elas, porém não havia feito nenhum pedido para aquela estrela, mais confesso que quando  avistei o olhar daquele cara ,olhei para ele e dentro dos meus mais súbitos pensamentos fiz o pedido de ele não passar despercebido de mim, portanto seu olhar era a minha estrela, não fiquei tão triste com sua partida, pois eu curti muito a sua chegada e sei que nada dura pra sempre a não ser o que guardamos em nossa mente.

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